o pior tumblr do mundo
Iceage - You’re Nothing

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O Iceage recentemente deu uma entrevista na qual declarou que a sua música não procura criticar nem defender nada e que eles não tem nenhuma ideia por trás da banda nem nenhuma convicção política/social específica. Enquanto essa declaração de “neutralidade” serve como um alívio diante das acusações de antissemitismo e fascismo que a banda vem sofrendo, ela também iluminou a seguinte conclusão : que na verdade o Iceage não é, necessariamente, “neutro”, é que eles não tem nada para dizer. O primeiro álbum da banda, New Brigade, serviu muito bem para canalizar 30 minutos de explosão punk adolescente e para deixar a sirene do hype acesa durante 2011 inteiro, mas o trabalho mais recente, You’re Nothing é um grande vazio. A banda de Copenhague merece créditos por levar o seu som a leveis mais acessíveis (o vocal está claro, limpo e compreensível em comparação com o álbum de estreia) mas além disso o You’re Nothing é um álbum que não oferece mais nada. O nível de barulho e a instrumentação agressiva são exatamente o que se espera da música punk contemporânea, mas nesse trabalho em específico o Iceage não apresenta estruturas musicais competentes para cativar nenhuma audiência. Não há sequer alguma música que valha a pena ser repetida. O sol do hype pode até continuar brilhando sobre o Iceage durante mais algum tempo, mas eles se encontram num delicado momento em que diversas bandas com som similar (METZ, FIDLAR) estão merecidamente ganhando atenção na mídia. Em um espaço de apenas 2 anos os dinamarqueses foram superados em todos os critérios. Pra quem corajosamente se orgulha em falar que não tem nada para dizer, está na hora do Iceage se esforçar um pouco e apresentar algo que valha a pena ser ouvido.

Iceage - You're Nothing - 2.8 out of 10.0

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(Pelo menos a capa é legal)

músicas que te salvam # 8 - LCD Soundsystem - Someone Great (2010)

http://www.youtube.com/watch?v=qwoLACv_srQ

Someone Great não é uma música sobre encontrar alguém ótimo, é uma música sobre superar alguém ótimo que te deixou. James Murphy cria o ambiente de alguém que está no processo de superar um fim de relacionamento. Não é um ambiente de tristeza profunda, desespero e de histeria, não é a primeira semana pós-fim de namoro, não é nem o primeiro mês. É a fase em que começamos a caminhar sozinhos, a fase em que começamos a achar uma paz interior.

Mas superar não é algo fácil. Nem rápido. Mesmo que o tempo esteja passando, o sentimento permanece. Someone Great é justamente isso. É sobre aquela súbita melancolia que bate repentinamente quando alguém importante te deixou. E essa melancolia, vale lembrar, it keeps coming … and it keeps coming … and it keeps coming … until the day it stops. E o jeito que o LCD Soundsystem canta esse sentimento é pura poesia. É um momento de contemplação sobre o que acontece when someone great is gone. O alter ego da música contempla que, apesar dele estar triste, toda a vida ao seu redor continua da mesma forma que era antes. There’s all the work that needs to be done (…) and songs to be finished. Frequentemente é difícil para alguém que está num momento de baixa emocional perceber que o mundo lá fora continua do mesmo jeito, que a única diferença ocorre internamente, que todas as pessoas ao seu redor permanecem iguais. O mundo não para porque algo aconteceu com você e você tem que seguir em frente uma hora ou outra.

E nesse estado de profunda saudade e nostalgia, Murphy lamenta que the worst is all the lovely weather, I’m sad, it’s no raining. Cara, o sol vai parar de brilhar porque alguém te deixou. The coffee isn’t even bitter, because, what’s the diference ? É, a vida continua, mas tem dias que você deseja que ela pausasse um pouco só pra a gente se reestruturar.

*LCD Soundsystem foi uma banda de Nova York que acabou em 2010 depois de lançar apenas 3 álbuns

músicas que te salvam # 7 - Everything Everything - Photoshop Handsome (2010)

http://www.youtube.com/watch?v=a5h2LRvBQ5Q

Chamar o Everything Everything de banda nerd é não é bom o suficiente para descrevê-los. Como você adjetivaria uma banda que faz referência a células, física, softwares, videogames e átomos ? como você descreveria uma banda que tem uma música chamada NASA Is On Our Side ? Mas ao invés de ficarem presos a esse “nerdice”, o Everything Everything vai além. Eles puxam a barreira da música eletrônica ao procurar fazer algo diferente e inovador. O seu experimentalismo e a sua busca por algo inusitado os rendeu uma indicação para o Mercury Prize em 2011, um dos prêmios mais importantes da música britânica.

Mas assim como aquele garoto do ensino médio que sonha em fazer ITA, o Everything Everything frequentemente é excêntrico demais para ser simpático. Auto-indulgente demais para ser divertido, entretido demais com as próprias piadas internas e pouco preocupado que os outros entendam. Felizmente esse não é o caso de Photoshop Handsome, a melhor música da banda. A música parece mais uma brincadeira leve do que uma experiência num laboratório, um rap de menino branco onde as linhas se emendam uma na outra deixando pouco tempo para o cantor respirar. E por trás disso há uma crítica extremamente irônica à obsessão com a estética, mais precisamente uma crítica ao esforço que as pessoas têm em disfarçar e camuflar sua aparência.

Photoshop Handsome consegue ridicularizar essas pessoas que vivem para o próprio corpo. Plásticas, cirurgias, manipulação digital de fotos, tudo isso está implícito na música. Ao cantar “chest pumped elegantly elephantine, southern hemisphere by Calvin Klein” (peito estufado elefantinamente, hemisfério sul da Calvin Klein) a banda faz um esperto jogo de palavras que transforma o playboy de academia que estufa o próprio peito em um enorme palhaço. O playboy (ou esse conceito de pessoa que idolatra seu corpo) é ridicularizado mais vezes, como quando cantam o quão estúpida essa pessoa fictícia é (em linhas como I put a rainforest on a oxo cube, struck by lightning if I take the tube e em where’s the country you died for ? and what is this century ? )

E no final das contas esse pavão burro que criaram como personagem da música conclui que está satisfeitíssimo consigo mesmo. Ele não está interessado em aprender nada, ele quer more dollar! less scholar! less time! E agradece por my teeth dazzle like an igloo wall (meu dente reluz como uma parede de um igloo) e por I have skin like a waxen peel and I face that I can never feel. (Eu tenho a pele como um pêssego depilado e um rosto que eu nunca consigo sentir) Ou seja : desde que ele teja dentes bonitos e uma pele macia ele não precisa de mais nada. Qualquer semelhança dessa descrição com alguém que você conheça é mera coincidência.

*Everything Everything é uma banda de Manchester, Inglaterra

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top 5 - histórias de falência

#5 ) Lei 11.101/05

        Art. 1o Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente como devedorblablablablablabakabalabalablabalabla


http://www.abeditora.com.br/loja/media/catalog/product/cache/1/image/5e06319eda06f020e43594a9c230972d/8/5/8574981184.jpg

#4) A Grécia

auto-explicativo

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#3) Chocolate com Pimenta


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Apesar de ter uma secretária muito eficiente e uma dona (e proprietária) de salão de beleza muito chique, essa novela gira em torno da batalha por uma lucrativa fábrica de chocolate em processo de recuperação judicial entre uma heroína insípida e uma vilã com tendência a se vestir como dançarina do moulin rouge. Resta agora saber que porra de cidade é essa onde a empresa mais importante é uma fábrica de chocolate.

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#2) Passion Pit - Take A Walk


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Recessão, emigração e dívidas são a temática dessa música que abre o 2o álbum da banda norte-americana Passion Pit. “now my partner calls to say our pension funds are gone, he made some bad investments now the accounts are overdrawn”. E além disso o eu lírico ainda tem filhos pra criar e uma sogra que “came just to stay a couple of nights but decided that she would stay the rest of her life”. É, tá na hora de arrumar uma solução brasileira pra o problema e entrar no mercado informal.

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#1) Michael Scott declara falência

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As coisas tão difíceis ?? as coisas tão apertadas ?? o dinheiro não rende ?? decrete  falência. Como decretar falência ?? de acordo com Michael Scott de The Office basta gritar pra o maior número de pessoas possíveis “I declare bankruptucyyyyyyyyy”

bônus :

-Argentina
-O Estado Neoliberal
-Santa Cruz Futebol Club

-Política do Encilhamento
-Transbrasil
-Euzinho

cantinhos do mundo #3 - A cidade inspirada na tabela periódica

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Há uma cidade no mundo que leva a química muito a sério. Fundada inicialmente como uma mina de cobre, Broken Hill, Austrália deve sua existência à extração mineral. Em homenagem à química, a cidade decidiu construir o seu grid de ruas inspirado na tabela periódica de elementos. Há diversas ruas no centro de Broken Hill com nomes de elemento. A Rua Prata, Rua Mercúrio, Rua Bismuto, Rua Cobre e por aí vai.

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*Broken Hill fica no outback australiano, no extremo oeste do estado de Nova Gales do Sul. De lá para Sydney são impressionantes 970kms

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cantinhos do mundo # 2 - O Museu dos Relacionamentos Falhados

Há museus para todo tipo de coisa, mas só existe um museu no mundo inteiro dedicado aos relacionamentos falhados e fica em Zagreb, na Croácia. Esse museu, que ganhou o prêmio de mais inovador da Europa em 2011, contém diversos itens pessoais cedidos por pessoas (e visitantes do próprio museu) de todas as partes do mundo. Entre os objetos em exposição encontramos vestidos de noiva, alianças, certidões de divórcio, cartas de namorados, algemas felpuldas, gravações e fotos de casais que, por um motivo ou outro, acabaram. Cada objeto é etiquetado e datado com o início e o fim do relacionamento em questão.

Há também uma parte confessional, uma área onde as pessoas podem anonimamente escrever sobre seus relacionamentos falhados. Essas mensagens (que se estendem por várias páginas, em alguns casos) podem ser encontradas por todas as partes do prédio.

Parece um conceito fascinante e ao mesmo tempo inevitável que qualquer pessoa, em qualquer idioma e em qualquer parte do mundo, pode um dia sofrer por uma relação que acabou.

-> um álbum de fotos de um casal de Maribor, Eslovênia (1973-2000) http://brokenships.com/uploads/mobr/exhibit_translations/img/000/000/010/big/200803030707340.slika.jpg?1286296536

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*Zagreb é a capital da Croácia e fica localizada na parte nordeste do país.

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http://brokenships.com/en/visit/the_exhibits/a_box_made_of_matches

http://en.wikipedia.org/wiki/Museum_of_Broken_Relationships

http://brokenships.com/en/

histórias do Recife # 1 - o barquinho da Jaqueira

Jaqueira Park - Recife, Pernambuco

Pode ser difícil de acreditar, mas a Jaqueira na zona norte do Recife é o bairro com a maior concentração de renda do norte-nordeste brasileiro. O segredo para tal sucesso é simples : construa um parque e cerque-o de prédios cujo apartamento mais barato não custa menos do que 1 milhão de reais. Por ser o menor bairro da cidade (e caríssimo), não é à toa que a Jaqueira seja um lugar tão exclusivo. Diretamente do outro do lado do rio Capibaribe, contudo, está o bairro da Torre, um reduto confortável e de classe média, mas nada charmoso. Esse bairro é constituído por diversos aglomerados de edifícios de altura média. É o Jambalaya Ocean Drive do Recife. Para ir da Jaqueira (onde têm-se diversas opções de transportes e serviços) para a Torre (muito menos privilegiada nesses aspectos) você tem que andar uns bons minutos até uma ponte ou atravessar um viaduto que cruza o rio. O bairro da Torre funciona como uma península fluvial e acaba se isolando da outra margem do rio por não ter pontes suficientes.

A outra opção é você cruzar o Capibaribe direto do cais da Jaqueira para a rua Frei Jaboatão, na Torre. A travessia custa um real, dura nem 2 minutos e é feita num barco a remo por um senhor que atravessa o rio há décadas. O sistema é super improvisado, o cais foi construído pelo próprio senhor e você não deixa de sentir uma sensação de estar no sudeste da Ásia num vilarejo flutuante. É rústico e clandestino mas com um charme interessante que mostra o quanto Recife tem coisas que só que acontecem aqui. Enquanto o homem rema você observa todo o panorama da zona norte : as margens verdes do rio lotadas de árvores de manguezais dividindo espaço com os luxuosos e enormes prédios de Casa Forte, das Graças e da Jaqueira. Do bairro mais rico da cidade você atravessa o rio até o quintal da casa do senhor (isso mesmo, o quintal dele) onde os cachorros da família já conhecem os passageiros habituais e onde galinhas ciscam o chão. Poucos segundos depois você está numa rua com duas torres enormes te encarando e logo em frente toda a movimentação da Av. José Bonifácio na Torre.

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Em breve, contudo, tudo isso vai mudar. A prefeitura da cidade e o governo do estado de Pernambuco aprovaram um plano de implementação de transporte fluvial no Recife. A capital ganhará catamarãs que funcionarão como verdadeiros metrôs aquáticos, transportando passageiros desde o centro da cidade até a Cidade Universitária. O bairro da Torre, finalmente, ganhará uma estação desse transporte fluvial e tudo indica que a estação será construída justamente na rua Frei Jaboatão exatamente onde fica o quintal da casa do senhor do barco.

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Na verdade o dono do barco está muito feliz com esse projeto do transporte aquaviário. Ele quer se aposentar e quer ver a cidade crescendo, segundo ele. E é claro que a cidade do Recife precisa melhorar a sua insana deficiência na infra-estrutura de transporte público, mas por enquanto vamos aproveitar a travessia ainda é feita de barco e enquanto essa cidade ainda faz as coisas de uma forma super improvisada. Há um certo charme em dizer que tem coisas em Recife que só acontecem por aqui e há uma grande verdade nisso também.

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*Fotos do bairro da Jaqueira e localização do bairro da Torre no mapa

cantinhos do mundo # 1 - A Catedral de Curtea de Argeș, Romênia

Curtea de Argeș (isso mesmo, com cedilha no S) é uma cidade nas montanhas centrais da Romênia que tem uma catedral com uma lenda interessante. Diz a história que na Idade Média, quando a catedral foi construída, existia uma crença na região que os edifícios só resistiram ao tempo se alguém envolvido com a construção enterrasse alguém amado vivo na parede. Manole, o mestre de obras, querendo que o seu trabalho ficasse de pé, decidiu aderir ao costume e avisou a todos os pedreiros que a primeira esposa que chegasse com o almoço no dia seguinte seria enterrada na parede da catedral. Os pedreiros disseram a suas esposas para ficar em casa e no dia seguinte a única mulher que apareceu na construção foi a esposa de Manole, que, de acordo com a lenda, ainda está enterrada nas paredes da catedral de Curtea de Argeș.

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*Curtea de Argeș fica na região da Wallachia, no centro da Romênia

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músicas que te salvam # 6 - Wild Beasts - Bed of Nails (2011)

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http://www.youtube.com/watch?v=cZaevasFRUg

Junte um bocado de romance com uma erupção de tensão sexual e você tem Bed of Nails do Wild Beasts. Tudo nessa música sugere um relacionamento amoroso com segundas intenções. É um jantar entre namorados à luz de vela que vai acabar na cama. É um perfume passado na nuca. É um beijo prolongado e molhado. É dar uma roupa íntima de presente. Há algo que sugere uma intimidade, amor e libidinagem ao mesmo tempo, exatamente como os relacionamentos duradouros devem ser.

Bed of Nails é sobre estar apaixonado, devotadamente apaixonado. Mas é também sobre desejar a pessoa amada. É difícil superar a linha de abertura “I would lie anywhere with you / any old bed of nails would do”. Ou “I woule lie anywhere with you / any old bed of nails for two”. Isso é paixão desmedida somada ao impulso sexual. E até quando geme frases sem aparente sentido (“oh-oh-ophelia, I feel you full”) o vocal estranhamente masculino e andrógino ao mesmo tempo de Hayden Thorpe consegue soar como de um homem apaixonado por uma mulher e pelo corpo dela.

A instrumentação exótica do Wild Beasts dá o toque final : os teclados quase dubstep entram em contraste com essa banda de temperamento clássico. O Wild Beasts é organizado e samaritano como um coral evangélico, mas a sua bateria nessa música impõe uma movimentação leve e quase pagã. A alma está na batida.

E Bed of Nails acaba adquirindo um tom sofisticado e sutil ao mesmo tempo. Isso aqui não é sujeira ou barbeiragem. Isso aqui não é a putaria pela putaria. Não é uma relação que dura apenas uma noite. Isso aqui é paixão pura. Bed of Nails é a noite seguinte a um pedido de casamento. ´estar no auge da sua forma física. É se entregar de corpo e alma a alguém. É lindo (e quem disser que sexo não pode ser lindo está enganado).

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*Wild Beasts é uma banda da província da Cumbria, Inglaterra. Em 2010 eles lançaram o elogiadíssimo álbum Smother, que foi considerado o mais ambicioso e complexo da sua carreira.

The Walkmen - Heaven

Olha só um fato interessante : o ser humano, com todo o desenvolvimento tecnológico e científico ao longo da sua história, só conhece pouco mais de 1% dos oceanos. Isso mesmo : impressionantes 99% dos oceanos são um completo mistério. Nós nos sentimos tão confortáveis dentro do mundinho que conhecemos que às vezes é difícil de perceber o quanto há ainda a ser explorado. Explorar dá preguiça, explorar exige esforço. Nós gostamos do que nos vem fácil. Por que sair procurando músicas novas por aí quando vem tudo mastigadinho no rádio e nas baladas ? Eu respondo : porque ao fazer isso só estamos explorando a tênue superfície de toda uma infinidade de músicas e bandas por aí. A ponta do iceberg. E pode acreditar : existe muita coisa boa nos 99% que temos preguiça de conhecer.

Não parece surpreendente que uma banda independente e com quase nenhuma atenção da mídia como o The Walkmen permaneça nesses 99% desconhecidos. É difícil imaginá-los em outdoors, mas não é por isso que eles devem ser ignorados. Essa é uma banda com uma belíssima trajetória de mais de uma década. Sem contar que nos últimos 6 anos, com o lançamento dos 3 álbuns mais recentes, eles vêm sendo irretocáveis. E é com muita satisfação que se verifica que com Heaven, seu 6º álbum, o The Walkmen não dá o menor sinal de cansaço ou decadência. Muito pelo contrário.

Essa é uma conhecida pela suas habilidades com a guitarra. Não só seus integrantes possuem uma habilidade nata com o instrumento,mas eles criam poderosos e inovadores riffs acústicos. Tudo soa clássico e elagante, e não clássico no sentido de rock clássico cansativo e tiozão, mas clássico no sentido de bem estruturado e bem pensado. Heaven é um álbum marcadamente baseado na guitarra acústica, lembrando o You & Me em sua forma. E como a guitarra é bem explorada no Heaven… o instrumento é tratado com uma enorme afinidade, tendo todas as suas nuances exploradas. O riff de abertura de The Witch, por exemplo, soa definitivamente como um ambiente de feiticaria e tudo o que a banda precisa é de 20segundos para construir esse ambiente.

Imagem completamente conjura We Can’t Be Beat, a música de abertura tocada numa guitarra acústica muito similar a um violão. Essa música é quase uma marcha, mas é lenta e bonita demais para isso. We Can’t Be Beat tem o poder de levantar a moral do ouvinte com o seu refrão em suave crescendo com “oOoOohs” e “we’ll never leave – we can’t be beat” e com linhas como “give me a life that needs correction. Nobody loves-loves perfection”. Mais acústica ainda é Southern Heart , no estilo voz e violão e na qual o vocalista Hamilton Leithauser mostra os seus variados tons de voz grave.

Mas esse é um álbum que, acima de qualquer outra coisa, fala sobre amor. A banda está apaixonada, o que não é surpresa, vistoque a maioria dos seus membros já constituiriam famílias. Aliás, o filho de Leithauser aparece nas fotos da promo do álbum com a banda. E essa temática do amor atinge o seu ápice no refrão de Song For Leigh, no qual se canta “and I’ll sing myself sick, I’ll sing myself sick, I’ll sing myself sick about you”. É quase exageradamente bonitinho. Os relacionamentos amorosos também são abordados em uma perspectiva mais cética, como numa música chamada Love Is Luck que fala exatamente sobre o que o título propõe. Leithauser sabe que o amor é sorte, mas isso não é motivo para ele não celebrar o amor que conquistou.

Mas a melhor música de Heaven é Heartbreaker, que também tem a letra mais interessante. Nela o vocal ilustra o quanto conhece a mulher que ama “I know the reason you exagerate”, “I know the answers to all of your demands” ao mesmo tempo que procura hedonisticamente aproveitar todo o tempo possível com ela “these are the good years-ah, the best we’ll ever know. these golden light years”. A música culmina num refrão que repete diversas vezes “I’m not your heartbreaker, some tender ballad player”. O jeito que a linha é cantada parece um homem assumindo que nunca teve vocação para partir o coração de ninguém, que genuinamente passa longe da imagem de quem usa mulheres de uma forma descartável. É outra perspectiva do universo masculino.

E Heaven é um belo exemplo do que constitui o The Walkmen. O álbum, assim como a banda, é extremamente masculino, mas não masculino sob uma ótica machista, sexista e cheia de testosterona. É uma banda que consegue instrumentalizar a frustração e as dores do universo masculino, sendo frequentemente intenso, frequentemente explosivo e frequentemente choroso. Quase sempre fantástico e sempre com uma sensibilidade ímpar.

Falta no álbum, contudo, um fundamental constituínte do The Walkmen (e do universo masculino) : a bateria. Essa é uma banda que possui uma força sobrenatural na bateria e tal instrumento concede às músicas uma gigantesca intensidade dramática. A bateria em Heaven ficou em segundo o plano, o que deixa o álbum menos intenso do que poderia. Heaven é um álbum mais bonito do que dramático e o The Walkmen funciona melhor no sendo mais dramático.

Mas isso não impede que Heaven seja o que é : uma pérola. Explorar as possibilidades da guitarra acústica (sem esgotá-las) ao mesmo tempo que se fala sobre amor é algo maravilhoso de se ouvir. E, principalmente, é maravilhoso ouvir uma das mais talentosas bandas da atualidade lançar outro excelente álbum. Há tanta beleza no inexplorado, tanta magia no desconhecido e tanta coisa que sequer sabemos. É hora de olhar para os 99% com simpatia pois as pérolas estão lá no fundo.

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The Walkmen - Heaven - 8.5 out of 10.0

The Gossip - A Joyful Noise

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Em pleno 2009 a cantora Beth Ditto pareceu ter saído de uma longa hibernação e subitamente despertou para a música eletrônica. Foi tomando uma decisão extremamemnte corajosa que a norte-americana decidiu que a sua banda The Gossip deveria lançar um álbum electro ao invés do punk rock/riot-grrrl que os deixou famosos. O que poderia ser uma enorme desgraça acabou sendo um dos picos criativos da carreira da banda, o Music For Men foi um merecido sucesso.

2 anos depois Ditto não se deu por satisfeita e aprofundou-se mais ainda na mudança de estilo musical, a cantora seguiu solo em 2011 e gravou um EP dançante com o Simian Mobile Disco. A surpresa foi que, apesar de tudo isso Beth Ditto, como alguém ofuscado pelas luzes da discoteca, ainda queria mais. A Joyful Noise¸lançado recentemene, é outro projeto eletrônico.

O problema é que apesardo The Gossip (e da sua líder Ditto) entender muito bem a dinâmica da música eletrônica, a fórmula já apresenta sinais de cansaço. A Joyful Noise nos atesta que a fase electro do Gossip já deu o que tinha que dar. O que se apresenta aqui é uma banda que funciona melhor como era originalmente : fixando nas guitarras, nos riffs e nos gritos. Uma banda mais suada e polêmica.

A Joyful Noise não faz juz ao nome. Nem é animado nem barulhento. Ele se encontra num limbo mid-tempo entre a música lenta e a música agitada. Beth até tenta, mas há a falta de um propulsor, de algo que impulsione e que seja capaz de acender uma fagulha. O álbum é fogo que queima mas não pipoca. Aliás, quem disser que esse é um álbum parecido com uma pipoca que não estourou vai estar fazendo uma boa comparação.

O que é frustrante é que esse álbum poderia ser tremendamente melhor se fosse mais parecido com o EP de Beth Ditto. Aliás, o EP tem apenas 4 músicas mas é muitíssimo superior ao A Joyful Noise. Ditto estava numa fase extremamente abençoada da sua carreira e poderia ter chamado o mesmo Simian Mobile Disco para colaborar no álbum da sua banda, mas não o fez. Os samples do SMD fizeram toda a diferença no EP e poderiam transformar o álbum do Gossip num titã. Talvez Beth pensou que poderia fazer melhor sozinha. Não pôde. O eletrônico de A Joyful Noise soa um tanto cansado e preguiçoso.

Isso não quer dizer que o álbum não tenha o que se aproveitar. De forma alguma. Aliás, eu bem disse que ele poderia ser um titã com a produção correta. O single de estreia Perfect World é uma queridinha da própria Beth e, conforme a mesma disse, remete bastante ao ABBA (e isso é uma boa coisa, só pra deixar claro). Love In a Foreign Place poderia estar muito bem no Music For Men e até se assemelha à temática de Love Long Distance. Move In The Right Direction também é de se destacar, mas é a francamente excelente Get A Job que rouba toda a cena do álbum e faz nos lembrar do quanto divertido o The Gossip é. Nela Ditto canta que “I’d love to stay and party but I’ve gotta go to work” enquanto alfineta e critica uma conhecida rica que não faz nada da vida e vive dos dinheiros do outro. “Girl, you need to get a job. Girl, you gotta work real hard” e “what kind of life is it when every days are weekend?” É cáustico e afiado.

E como um quadro um tanto fora do lugar, A Joyful Noise levanta algumas sobrancelhas e questionamentos. Beth Ditto é uma mulher de bom senso e que sabe muito que faz, mas ela acabou lançando um álbum desnecessariamente fora do contexto. Depois de alguns anos explorando o electro com sucesso, está na hora do Gossip aposentar os sintetizadores e voltar às guitarras e à bateria. Tá na hora deles serem de novo aquela banda lésbica suada e peluda. A Beth Ditto dançou, dançou e dançou mas é melhor acabar com os seus dias de discoteca.

The Gossip – A Joyful Noise – 5.7 out of 10.0

Marina & the Diamonds - Electra Heart

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Já faz uns bons anos que qualquer um pode ser uma celebridade sem maiores dificuldade. Isso mesmo : qualquer um. Talento, beleza, contatos importantes…isso já importou mais. A fama pode ser construída através do mero acaso. Vivemos numa era em que ser famoso não significa ser relevante e ser reconhecido no meio da rua tem determinado prazo de validade. Sendo a fama algo tão efêmero e atingível por qualquer imbecil, parece impressionante que alguém com a dose de talento de Marina Diamandis está desesperado por ser famoso.

Electra Heart, segundo álbum de Marina and the Diamonds, projeto da cantora galesa Marina Diamindis, é, do começo ao fim, uma desmedida busca ao estrelato. Prêmios, tapetes vermelhos, estádios lotados : ela quer tudo isso. O problema não é a busca pela popularidade em si (isso é legítimo e aceitável), o problema é o caminho que Marina decidiu tomar. A cantora pegou um atalho, compôs 12 músicas que poderiam perfeitamente ter sido escritas por (insira cantora pop celebridade). E mais triste ainda é constatar o quanto a autenticidade está em baixa em Electra Heart. Marina encarnou um alter-ego (a loira Electra Heart) e a usou como desculpa para mudar radicalmente e escrever letras pobres. Não convenceu. Por trás da imagem de alguém que canta “ I’m miss sugar pink liquor liquor lips, I’m gonna be your bubblegum bitch” está a mesma mulher que uniu a música pop a momentos de confissão íntima no 1º álbum como Obsessions e I’m Not Your Robot. Não convence porque sabemos que Marina não é assim.

As músicas soam robóticas, artificiais, sem personalidade. Parece que a cantora se vendeu para a própria fixação com a fama, e o pior de tudo : se vendeu barato. Há um insuportável ar de mesmice e uma sensação de que cada segundo é cautelosamente pensado para concorrer nas rádios com as Britney da vida. Aliás, a desastrada produção do álbum não deve nada às Madonna e às Lady Gaga. Há uma obsessão em introduzir batidas e samples eletrônicos em TODAS as oportunidades possíveis e Electra Heart parece ser uma enorme colaboração com David Guetta. Há um exagero eletrônico que torna a audição extremamente cansativa e artificial.

Tudo é plástico e propositalmente fútil sem o menor ar de ironia. Quando Marina canta “I wish I’d been I wish I’d been a teen-teen idle” ela quer dizer exatamente isso. Não há nenhum pingo de senso de humor, a vaidade e a futilidade são levadas a sério e repetidas como mantra. E enquanto cantoras como Lana del Rey conseguem fazer o tema do estrelato soar interessante, Marina só consegue irritar. Em Starring Role ela faz uma infeliz comparação da solidão com não conseguir um papel principal na vida de alguém e comprova o quanto está sendo uma atriz no álbum. Aliás, o que você pode concluir de uma linha que fala “my life is a play…….is a play……… is a play………” e de uma (terrível) música que se chama Valley of the Dolls ?

Mas uma vez que você consegue sacudir toda a purpurina e o glitter, Marina consegue te divertir. Querendo ou não, Electra Heart acaba te arrastando para o dancefloor. A maioria das músicas são boas de cantar junto. Homewrecker, Primadonna e Power & Control , por exemplo, são bons singles. Living Dead é quase excelente, armada de um refrão afiadíssimo e agradavelmente repetitivo.

Contudo, o que impede que Electra Heart seja um completo desastre é o simples fato de que esse é um álbum de Marina & the Diamonds. Marina nunca vai ser uma cantora pop genérica porque ela é muito melhor do que todas elas. Ela é superior. Há momentos de criatividade e intimidade como na previamente mencionada Teen Idle em que ela canta o próprio narcismo e o desejo de ser uma prom queen ao mesmo tempo que “feeling super super super suicidal”. Há um contato com a subjetividade do ouvinte, há algo capaz de criar uma identificação.

Também temos uma genuína emoção em “all I really wanted was to be wonderful. people in this town they – they can be se curel” (em The State of Dreaming). É o melhor momento do álbum. Não é a linha em si, mas o jeito que ela fala. É um desabafo íntimo, algo que vem de dentro. São linhas como essa que te fazem que questionar se está tudo bem com Marina Diamindis. Ela canta um estilo de vida glamuroso e extravagante, mas então por que está “feeling super super super suicidal” ?? As declarações soam tão sinceras que é impossível não ficar do lado dela.

A gente perdoa Marina. Ela é especial. Ela tem talento, mas foi engolida pela própria ambição cega. Ela tem tudo para ser uma Robyn, mas quis ser uma qualquer. Em Electra Heart ela se esforçou para ser genérica, se esforçou para ser uma atriz, mas felizmente não conseguiu esconder por completo quem realmente é. Marina parece uma novata na high school querendo impressionar as cheerleaders populares ao se fingir de fútil e tola. Para a nossa sorte, ela não sabe atuar. Por trás dessa barbie lamentável que ela quis criar pulsa um coração. Vamos torcer que na próxima vez ela decida falar sobre algo que é e não sobre algo que ela gostaria de ser.

-> ESQUISITO MAS TÔ NA ÁREA <-

SE LIGA NA FESTA

Beach House - Bloom

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(capa não oficial)

O reconhecimento vem pra aqueles que trabalham duro e no caso do Beach House (duo de Baltimore, Estados Unidos) , a notoriedade veio apenas com o lançamento do seu 3º álbum, Teen Dream. Difícil era ver alguma lista de melhores do ano de 2010 que não citasse essa pérola de álbum. Enorme sucesso de crítica e de público, Teen Dream serviu como um enorme trofeu para uma banda que vinha fazendo um trabalho muito bem feito na surdina. E o que acontece quando você ganha ? você precisa dar volta da vitória.

Completando a consistente discografia do Beach House vem Bloom, o seu quarto álbum. Esse parece ser o álbum mais alegre da banda. A sonoriedade e o ambiente estão mais leves do que nunca. Enquanto Teen Dream e o também genial Devotion  parecem fruto de um pesado luto com a vida, Bloom parece um sopro de ar fresco. É um álbum para se ouvir ao ar livre, em claro contraponto à discografia quarto escuro/cortina fechada do Beach House. É revigorante, a banda dessa vez está fornecendo um antídoto ao invés de ferramentas musicais pra te deprimir.

Mas não é por aparentar ser positivo que esse não é um álbum bonito. Essa é uma banda que conquista pelos detalhes. Na primazia com que sai encaixando elementos shoegaze, dream pop e teclados no som. Essa junção de elementos faz tudo parecer uma paleta de cores em Bloom. É complexo e sofisticado como tudo o que o Beach House faz. Há momentos de ternura belíssimos, como a progressão suave em Lazuli e as guitarras de The Hours.

A música de abertura, Myth, foi o teaser perfeito para o álbum porque é o tipo de música que você sente vontade de ouvir mais uma vez. É uma música a ser explorada, desvendada. Parece uma linda cantiga de natal. Também natalino é o clima de Wishes, uma música tão etérea que se assemelha à trilha sonora de um sonho.

Mas além disso Bloom não consegue florescer tanto. O duo claramente levou esse álbum a sério, mas não conseguiram ser brilhantes uma 3ª vez. On The Sea e Irene combinariam bem no 1º álbum (que é um trabalho nada impressionante) Bloom é sensível  e delicado como algo do Beach House deve ser, mas não necessariamente da forma que se espera. É um trabalho leve demais, talvez precisasse de algo mais pesado para deixá-lo no chão. De um clima mais pesado. Ouvindo esse álbum pode-se perceber que a banda funciona menor quando soa mais triste. É mais impactante, mais singular e combina mais com eles.

 Talvez esse álbum seja fruto de uma calmaria no estado de espírito do seus criadores (afinal de contas eles têm motivo para comemorar depois do Teen Dream!) .E você não pode esperar músicas tristes de pessoas que estejam felizes. Nem soaria sincero. Se for esse o caso, vamos dar a Victoria Legrand e Alex Scally o direito de escrever algo tão leve quanto o que estejam sentindo. Eles merecem depois de tanto trabalho duro. Depois de subir ao pódio é hora da volta da vitória. Bloom é a volta da vitória do Beach House, é maravilhoso de se assistir os campeões se divertindo com ela. Mas não é a vitória em si.

Beach House - Bloom 7.7 out of 10.0

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